DESTINO 1 — A FLORESTA FANTASMA
- Clóvis Nicacio
- há 1 dia
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A hora da pausa - Edição de 15 de fevereiro de 2026

“Nem tudo o que é invisível é inexistente.” — John Locke
Existem lugares que não se deixam encontrar. Não por estarem escondidos, mas por não desejarem ser medidos.
A Floresta Fantasma não aparece em mapas, sensores ou leituras orbitais. Nenhum instrumento humano conseguiu registrá-la com precisão. Nem mesmo as colônias flutuantes de Vênus, suspensas acima das nuvens, conseguem localizá-la. Ainda assim, ela existe — silenciosa, densa, indiferente à nossa necessidade de comprovação.
Localizada nas profundezas da superfície de Vênus, sob pressão extrema e camadas permanentes de nuvens tóxicas, a floresta sempre foi considerada inóspita para humanos. Caminhar ali exige escafandros pressurizados, oxigenação forçada e atenção absoluta. Não há sol visível. Não há horizonte claro. Não há concessões.
Mas a Floresta Fantasma não é um território vazio.
Antes mesmo de qualquer presença humana organizada, ela foi utilizada como base temporária pelos habitantes de Saturno, durante o período em que planejavam uma possível invasão da Terra. Adaptados à pressão e à química do ambiente, os saturninos escavaram cavernas profundas sob a floresta, utilizando-as como abrigos estratégicos, centros logísticos e pontos de observação silenciosa.
Esse período é descrito no livro A bruxa de Saturno, quando a floresta deixa de ser apenas um ambiente hostil e passa a assumir um papel geopolítico no equilíbrio entre mundos.
Com o fracasso desses planos e a reorganização das forças interplanetárias, as cavernas escavadas foram doadas às FAD — Forças Armadas de Defesa da Terra. Durante décadas, serviram como áreas de treinamento avançado para cadetes: em simulações de sobrevivência extrema, combate em baixa visibilidade e resistência psicológica em ambientes sem qualquer referência sensorial familiar. Os cadetes eram desafiados a encontrar plantas com poderes curativos na flora desafiadora sempre ameaçados pela fauna local.
Poucos concluíam o treinamento sem alterações profundas. A floresta não ensina técnicas. Ela ensina limites.
Hoje, ironicamente, parte do mesmo espaço foi convertido em um hotel exótico, destinado a visitantes que buscam experiências fora do espectro comum do turismo espacial. A área militar continua existindo. As antigas cavernas receberam adaptações com sistemas independentes de pressurização, oxigenação e isolamento, mantendo intacta a sensação de deslocamento absoluto.
Nada ali foi domesticado. A floresta apenas tolera a presença dos visitantes.
Durante o Carnaval, quando tudo parece exigir estímulo constante, resposta imediata e visibilidade, a Floresta Fantasma se impõe como um contraponto radical. Um lugar onde não há sinal. Onde nada pede engajamento. Onde a experiência não pode ser compartilhada em tempo real — apenas atravessada.
Este não é um destino para conquistar. É um destino para aceitar.
Viajar até a Floresta Fantasma é abdicar do controle, da narrativa pessoal e da expectativa de retorno simbólico. E talvez seja exatamente aí que a pausa começa.
A Floresta Fantasma é explorada em detalhes no livro MRQ-7000 – Mãe Raimunda do Quilombo e tem sua história estratégica revelada em A bruxa de Saturno, ambos publicados na Amazon e diversas livrarias digitais.
Boa viagem. A doutora Clara Sarabia já esteve lá — e sabe que nem tudo volta com você.
Os universos apresentados aqui fazem parte dos livros publicados na Amazon, disponíveis também para leitura no Kindle Unlimited. Se preferir versão em papel, fale comigo. Posso indicar onde estão.
E todos estarão listados em https://www.clovisnicacio.com


