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DESTINO 2 — AS CIDADES GASOSAS

A hora da pausa – Edição de 22 de fevereiro de 2026


Uma Cidade Gasosa
Cidades no interior de Saturno
“O homem teme aquilo que não compreende.” — Baruch Spinoza

Durante muito tempo, a humanidade confundiu forma com existência. Aquilo que não possuía corpo sólido era tratado como abstração, ilusão ou ameaça.


As Cidades Gasosas desmontaram essa certeza.


Localizadas nas profundezas dos planetas gasosos, neste caso específico em Saturno, essas cidades não se apoiam em solo, paredes ou estruturas fixas. Elas existem em equilíbrio contínuo, suspensas dentro de camadas densas de hidrogênio. Seus habitantes — os saturninos — não possuem corpos materiais como os nossos. São entidades adaptadas à pressão extrema, ao movimento constante e à ausência de limites físicos definidos. Não acredita? Compare com os habitantes das fossas abissais nas profundezas dos oceanos terráqueos. A analogia é a mesma.


Ali, em Saturno, os humanos são os estrangeiros. Existem locais com bolhas atmosféricas especiais para recebe-los.


Qualquer visitante terráqueo precisa utilizar escafandros avançados, capazes de manter pressão interna, composição atmosférica e integridade corporal. Não por hostilidade local, mas por incompatibilidade biológica. O ambiente não foi feito para nós — e nunca tentou ser.


Ao contrário do que possa parecer, os saturninos nunca foram intrinsecamente hostis. No início do século XIX, por volta de 1800, chegaram a considerar uma intervenção direta na Terra. Não por desejo de conquista ou extermínio, mas por um recurso específico: água pura terráquea, rara e valiosa para sua bioquímica.


A possível extinção humana era, naquele contexto, apenas um efeito colateral calculado.Um erro ético que mais tarde seria reconhecido como tal.


Esse período é descrito no livro A bruxa de Saturno, quando o contato entre as espécies ainda era marcado por desconfiança, projeções equivocadas e decisões tomadas com base em sobrevivência, não convivência. Pelos dois lados.


Quando a ideia de invasão foi definitivamente abandonada, algo mudou. As Cidades Gasosas passaram a receber visitantes humanos de forma aberta, organizada e segura. Não como conquistadores, mas como convidados. Desde então, saturninos e humanos coexistem pacificamente, tanto em Saturno quanto em colônias compartilhadas.


Hoje, visitar uma Cidade Gasosa não é um ato político. É um exercício de deslocamento mental.


Nada ali se parece conosco. Nada responde à nossa lógica arquitetônica, social ou sensorial. As cidades não foram feitas para impressionar. Foram feitas para funcionar — e continuam funcionando, indiferentes à nossa necessidade de protagonismo.


Durante o Carnaval, quando tudo exige forma, imagem e presença constante, este destino propõe uma pausa radical: aceitar que existir não exige ocupar espaço visível, nem impor a própria lógica ao ambiente.


Algumas civilizações sobreviveram justamente por não precisarem ser sólidas.


As Cidades Gasosas são exploradas nos livros As Cinco Esposas de Nathan e A bruxa de Saturno, publicados na Amazon e outras livrarias  especializadas.


Boa viagem. Respire fundo — o escafandro faz o resto.


Os universos apresentados fazem parte dos livros publicados na Amazon, disponíveis também para leitura no Kindle Unlimited.


Vejas a lista de títulos em https://www.clovisnicacio.com. Se preferir cópias em papel, fale comigo e direi onde encontrá-los.

 

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