DESTINO 6 — CASTELO EM CARÍNTHIA
- Clóvis Nicacio

- 22 de mar.
- 2 min de leitura

A hora da pausa – Edição de 22 de março de 2026
“A história é um pesadelo do qual tento despertar.”
Alguns lugares não atravessam o tempo. Eles o acumulam.
O castelo em Caríntia, situado à margem de uma floresta nos Alpes Austríacos, não é apenas uma construção antiga preservada por acaso. É um ponto de condensação histórica. Decisões foram tomadas ali em voz baixa, sob lustres elegantes, longe de campos de batalha e discursos públicos.
Foi nesse castelo que Alana Ghosten viveu por dez anos como Duquesa Consorte.
Não como ornamento da Corte, mas como participante ativa de uma engrenagem política que se acreditava eterna. Durante uma década, o castelo foi lar, refúgio e centro de articulações. Recebeu festas, encontros diplomáticos e conversas que jamais seriam registradas em documentos oficiais. Ninguém, ou quase ninguém, suspeitava dela ser uma vampira.
O período coincidiu com um dos momentos mais delicados da história humana: a deflagração da Primeira Guerra Mundial.
Quando o conflito irrompeu, o mundo precisou encontrar culpados. E castelos conhecem bem essa lógica. Quem esteve próximo demais do poder, silencioso demais para se defender, torna-se alvo conveniente. Anos depois, o nome de Alana passou a circular em acusações veladas, teorias e dossiês incompletos. Teria ela influenciado decisões? Antecipado movimentos? Manipulado vontades?
Nada jamais foi provado. Mas nada jamais foi esquecido.
A fuga foi inevitável. Sem despedidas, sem encerramentos simbólicos. Alana deixou o castelo — e com ele, uma década inteira de vida — para trás. O que permaneceu não foram apenas paredes e jardins, mas fantasmas: expectativas quebradas, lealdades ambíguas, versões conflitantes da mesma história.
Passado o Carnaval, quando tudo se apresenta como leve, descartável e momentâneo, este destino propõe uma pausa incômoda: lembrar que o passado não termina quando decidimos seguir em frente. Ele apenas muda de forma.
Convite a reflexão: como alguém que não envelhece, teoricamente imortal, sente a passagem do tempo?
Castelos não são assombrados por espíritos. São assombrados por decisões e lembranças.
Hoje, o castelo em Caríntia permanece como destino turístico refinado, oferecendo experiências cuidadosamente encenadas: jardins, salões, treinamentos históricos, arcos e bestas medievais. Mas nada ali é neutro. Cada visita atravessa camadas de tempo que ainda não se acomodaram. O que será visto só depende de imaginação.
A história desse período é narrada no Volume 1 da trilogia, Alana Ghosten e o Sorriso da Vampira, publicado na Amazon e disponível também no Kindle Unlimited.
Boa viagem. Se caminhar em silêncio suficiente, talvez perceba: alguns lugares lembram de você.
Se preferir cópias em papel, fale comigo e indico onde estão. Basta comentar aqui neste Post ou no Blog.
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