O fato mais marcante de 2025
- Clóvis Nicacio

- 4 de jan.
- 7 min de leitura
A hora da pausa - edição extraordinária de 04/01/2026

Primeiro, preciso pedir desculpas pela ausência em Dezembro. Não publiquei nada dentro da "A hora da pausa" neste mês.
Teve um motivo: meu site foi atacado por alguma "força oculta" gerando mais de 450 assinantes inexistentes. Para proteger os reais, não publiquei nada, até fechar todas as portas vulneráveis.
Mas agora estou de volta, com portas fechadas e uma novidade.
Não sei quem acompanha notícias de ficção, mas a coqueluche nos mêses finais de 2025 foi o cometa 3I/ATLAS, prometendo nos alimentar com "anomalias" até meados de 2026, no mínimo.
Entre as anomalias divulgadas temos: é um cometa anormalmente rápido, muda de cor, "cospe" no Sol, acelera ou desacelera mesmo quando perde massa, apresenta indícios de substancias praticamente impossíveis de estarem em um cometa, etc. Deixa até duvidas se é mesmo um corpo celeste natural (cometa) ou se é artificial (nave). Tem cientistas sérios discutindo isto.
As informações publicadas são filtradas pelos divulgadores, inventadas, escondidas, reais, mentirosas ou o que eles decidirem nos contar. Também pode ser o que o Cometa quiz que soubéssemos. Todos nos consideram ignorantes.
Durante Janeiro/2026 vou apresentar um conto em 4 capítulos, publicando um em cada domingo, contendo uma nova abordagem. A parte 1 de 4 está aqui embaixo. O conto se chama "Por trás do Cometa", uma visão do que pode estar por trás de tudo.
Voce pode acreditar ou não, mas precisa saber da possibilidade.
Vamos começar? A segunda parte estará aqui no próximo domingo.
Por trás do cometa — Parte 1 —Darkshine
Convocação

O Capitão Samuel HardThorn pousou na vaga delimitada na área interna do Quartel sem nem sequer olhar para as outras naves individuais deixadas lá. Se tivesse olhado teria apressado o passo, na direção da esteira flutuante.
Demorou quase cinco minutos circulando pelo intrincado labirinto formado por estruturas de aço e vidro, até chegar à entrada do gabinete que ostentava uma plaquinha com seu codinome, seguido pelas palavras: Comando Geral da Polícia Espacial.
O intendente parado na porta parecia ansioso. Nem fez a continência habitual, logo disparando.
— Ela chegou já tem dez minutos.
O Capitão respondeu no mesmo tom, entendendo a ansiedade do outro.
— Isso não é normal. Ela sempre chega no horário combinado, nem um segundo antes e nem depois.
Como sempre acontecia na presença daquela mulher, ele ficou paralisado ao abrir a porta do próprio gabinete.
A simples presença dela preenchia o ambiente antes mesmo de dizerem uma palavra sequer. Alta e esguia, ela movia-se de um lado para o outro da sala com a elegância natural de quem já foi treinada para dançar — cada gesto parecia calculado, mas nunca artificial. Os cabelos loiros, curtos, às vezes dourados como trigo ao sol, moldavam um rosto de traços marcantes: maçãs do rosto altas, mandíbula definida e um equilíbrio quase perfeito entre suavidade e força. Os olhos, de um verde claro e penetrante, observavam tudo com uma mistura de calma e intensidade, como se carregassem histórias demais para serem ditas de uma vez. A pele clara contrastava com o brilho dos olhos, dando-lhe um ar quase etéreo. Seu porte — firme, confiante, mas sem arrogância — fazia com que ela parecesse maior do que os 1,77 que a própria altura já sugeria.
O uniforme militar, que nem parecia ser confeccionado em fibras sintéticas, acrescentava àquela oficial uma autoridade silenciosa. Era de corte impecável, linhas retas, simulando tecido pesado, num tom escuro que absorvia a luz em vez de refletir. Os ombros estruturados ampliavam a postura naturalmente ereta, enquanto detalhes mínimos — quase imperceptíveis à primeira vista — sugeriam a patente elevada e um passado que poucos ousariam questionar.
A gola alta, rígida, moldava o pescoço com uma precisão quase escultural, e os botões metálicos, frios e discretos, criavam um contraste sutil com a palidez da pele. Não havia exageros: tudo era contido, funcional, mas carregado de uma tensão elegante. O uniforme não gritava poder; ele o insinuava. Nos olhos verdes, o brilho calculado de alguém acostumada a comandar. O conjunto — a beleza fria, o porte impecável e o uniforme austero — criava um encanto paradoxal: ao mesmo tempo atraente e perturbador, como se ela fosse a personificação de uma força que você admira, mas hesita em desafiar.
Ele recuperou a voz.
— Você está muito bem, Helen. A patente de Coronel fica perfeita em você. Mas seu codinome ainda intimida: DarkShine.
— Não sou eu quem você está vendo, é ela. E esta patente já tem dez anos.
O Capitão se lembrava das mesmas conversas, e da mesma ferida ainda aberta. O ciúme dela pela própria imagem e o ressentimento por ele não ter comparecido à Cerimônia de Promoção, dez anos antes.
Tinha um motivo para a ausência: estava fora do planeta, em missão. Uma missão que seria dela, se não estivesse sendo promovida a Coronel. O Alto Comando a substituiu no último momento, dando a tarefa para ele, mas sem avisar que era uma missão suicida. Ele voltou vivo por pura sorte, só descobrindo a trama bem depois. Nunca pode contar aquela história para ninguém, principalmente para Helen, pois ela teria assassinado o Alto Comando e provavelmente teria sido executada numa Corte Marcial. DarkShine jamais poderia pensar em vingança pois não haveria sobreviventes.
Para proteger os Comandantes, ele sacrificou o casamento e a vida com Helen, mas a manteve saudável e com a patente.
— Não tem como separar vocês duas. Uma lembra a outra, sempre. Mas sei reconhecer qual é real e qual é só uma imagem.
— Não somos tão iguais assim. Ela é dois anos mais velha.
— Também sei disso, mas não disse que são gêmeas. Considero vocês como uma falha da Teoria das Dimensões Paralelas. Duas pessoas diferentes, porém idênticas, não poderiam estar no mesmo universo, mesmo sendo uma aqui e a outra na Terra.
— Por causa disso nunca irei até a Terra. Um encontro com minha sósia poderia destruir dois universos. Ou duas mentes lúcidas.
— Concordo. E nem a Terra teria estrutura para comportar duas Charlize Theron.
*
Ameaça

— Foi por isso que me chamou, Sam? Para falar de Dimensões Paralelas? — Ela continuava ansiosa e direta, desde o tempo em que foram casados.
— Não. Os Kerniuns suspenderam essa pesquisa, para não deixar cair nas mãos dos AIKs. Imagine o que aqueles robozinhos assassinos fariam com uma tecnologia como essa. É outra coisa, mas envolve a Terra.
— Não irei lá, se está tentando me convencer.
— Não vai precisar. Tem visto as últimas notícias dos terráqueos?
— Fora os filmes recentes da minha sósia? Não.
— Deixa te atualizar, do ponto de vista deles.
A Polícia Espacial, desde o tempo em que foi formada no Planeta Heaven, mantinha uma vigilância cerrada, camuflada, sobre a Terra. Os terráqueos eram os primos distantes, pobres, ignorantes e belicosos vigiados na esperança de que pudessem evoluir e estabelecer contato algum dia. Mas isto nunca acontecia. Eles continuavam xenófobos, atacando e exterminando qualquer coisa que não fosse do mesmo planeta. Já os humanos residentes em Alpha Centauri, salvos durante o Dilúvio, foram educados e orientados pelos homens-poste, humanoides que quando adultos podiam ter três metros de altura sob cabeças cônicas, naturais do planeta vizinho Kerium. Eram extremamente mais evoluídos, pois já dominavam viagens interestelares naquela época.
— Qual foi a última imbecilidade deles? Ou pararam de se matar por diferenças na cor da pele?
— Não seja tão crítica. Eles estão evoluindo, embora em um ritmo enervante. Mas, como sabemos, Deus não usa relógio.
— Agora você tem paciência? Surgiu alguma evidência de evolução?
— Recentemente eles descobriram um novo cometa no céu. Chamaram de 3I/Atlas. Está sob estudo e as primeiras observações mostram cálculos muito próximos dos que os nossos cientistas fizeram. Pelo menos em astrologia eles tem alguma esperança. mesmo com equipamentos obsoletos e sentados no próprio quintal.
— Você quer dizer mais alguma coisa. Eu te conheço, Sam. Desembucha logo.
— Ok. Soube da Pandemia do Covid? Foi negligência nossa.
— Nós soltamos aquele vírus?
— De certa forma. Vimos o míssil chegando, podíamos tê-lo detido, mas não fizemos nada. Explodiu sobre a China e contaminou a Terra toda. Metade do Alto Conselho foi substituído por essa idiotice nossa. Agora se chamam Conselho de Defesa, reduzidos a sete membros. Se não viajasse tanto você estaria a par.
— O que mais?
— Seguimos a trajetória reversa do míssil Covid. Veio na mesma rota que este novo Cometa está fazendo. Confirmou a suspeita de ter outra colônia humana em Sagitário, talvez mais avançada que nós, mas com objetivos contrários. Alguns humanos consideram terráqueos como a parte podre da espécie. Enquanto nós os protegemos, outros querem exterminá-los.
— Então o Conselho quer me mandar para Sagitário?
— Não ainda. Suspeitamos que este cometa seja outra Bomba de DNA, mais mortal que o Covid. Queremos que você o neutralize, antes do Sistema Solar terráqueo ser destruído.
— Quanto tempo para chegar na Terra?
— Não chegará, até onde pudemos deduzir. A rota até agora aponta para Marte, com previsão de chegada em Setembro deste ano. Os cientistas da SpaceCop suspeitam que eles pretendem deixar o vírus encubado no gelo de Marte, para proliferação quando os primeiros colonizadores terráqueos chegarem e voltarem. Um plano de longo prazo, indetectável. Que pode se tornar um Genocídio.
— Sou especialista em camuflagem, entre outras coisas. Sabe o que esse plano implica se for verdadeiro, não sabe?
— Explique!
— Um plano de longo prazo como esse significa que eles estão apostando na Colonização Marciana. Pode ter sagitarianos infiltrados na Terra promovendo isso.
— Vou levar essa possibilidade ao Conselho. Mas a prioridade ainda é neutralizar o cometa, antes de Setembro. O cometa estará escondido da Terra, atrás do Sol, o que pode facilitar alguma coisa.
— Por que eu, nesse momento? Qualquer equipe pode fazer isso. Explodir cometas é muito fácil.
— Não é isso. Apenas explodi-lo pode liberar a carga e contaminar tudo. Antes precisamos estudá-lo, para confirmar a origem e o propósito. E tudo deve ser feito escondido dos humanos. Eles não podem tomar conhecimento da nossa presença ou do nosso envolvimento, em hipótese nenhuma. Só nossa combatente mais experiente, especialista em demolição e camuflagem pode fazer isto.
— Agora só falta você querer subornar meu lado feminino. Esqueceu de dizer que sou loira, que tenho uma frota pronta e um esquadrão com sessenta naves agindo como um quartel itinerante. Tem ideia do que terei de fazer para esconder tudo isso dos sagitarianos e dos terrestres ao mesmo tempo?
— Se alguém consegue, é você! E como você mesma disse, o cabelo não é seu, é dela.
*
Condição

— Se eu decidir aceitar, tenho uma condição.
— Qual?
— A nave 61, abastecida e operacional. Codinome temporário: Armagedom.
— Se estou entendendo direito, você quer uma nave que não existe.
— Não existe oficialmente. Quero o protótipo. Eu mesma farei a avaliação final, antes de protocolá-la.
— Tem certeza disso?
— Será uma garantia de que posso sair viva dessa missão maluca. Uma carta na manga, se quiser considerar assim. Ninguém deve saber que está comigo, muito menos o Conselho.
— Só não a use, de jeito nenhum.
— Farei o possível e o impossível.
A partida do Esquadrão DarkShine ocorreu no final da tarde, quando sessenta naves de guerra acompanhadas por uma sombra camuflada desapareceram do céu de Heaven, mergulhando todas no hiperespaço ao mesmo tempo.






Amei a história. Quero mais. Gostei desta visão do autor para o 3Iatlas.