top of page

DESTINO 3 — CATEDRAL E / OU CEMITÉRIO

  • Foto do escritor: Clóvis Nicacio
    Clóvis Nicacio
  • 01false09 GMT+0000 (Coordinated Universal Time)
  • 3 min de leitura

A hora da pausa – Edição de 1º de março de 2026


Catedral ou Cemitério como destinos turísticos
Catedral e Cemitério, transformados em destinos turísticos
“Minha casa será chamada casa de oração; vós, porém, a transformastes em covil de mercadores.” — Evangelho de Mateus 21:13

Fevereiro acabou, este ano considerado o mês do Carnaval. Mas vou continuar no assunto, apresentando destinos atemporais para sua viagem sem sair do sofá. Hoje falo do Destino 3, um que promete dar o que falar, convidando à Reflexão.


Quando a Terceira Guerra Mundial terminou, não houve vencedores. Houve sobreviventes. Estima-se que apenas 30% dos humanos que viviam na Terra permaneceram no planeta. Mais informações no livro "As cinco esposas de Nathan".


A guerra não foi travada entre nações, ideologias ou sistemas econômicos. Foi travada contra a própria Natureza, a sempre desprezada apesar dos avisos prévios, que respondeu décadas de exploração com cataclismos, colapsos ambientais e reconfigurações irreversíveis do planeta. Cidades ruíram. Populações desapareceram. Fronteiras deixaram de existir.


Instituições milenares perderam não apenas fiéis — perderam sentido operacional.


A Igreja estava entre elas. Como manter crenças vivas depois de tanta devastação? Mas a Fé sobreviveu, graças a uns poucos escolhidos.


Com recursos escassos e um mundo que já não reconhecia autoridade espiritual como prioridade, a sobrevivência exigiu pragmatismo. Igrejas, catedrais e até cemitérios — alguns dos poucos edifícios que resistiram aos cataclismos — passaram a ser capitalizados. Não como profanação deliberada, mas como estratégia de permanência.


Hotéis, Centros culturais, Espaços turísticos, Áreas comerciais: passaram a integrar antigos espaços eclesiásticos.


O sagrado passou a dividir espaço com o consumo. Como shoppings, aeroportos e hospitais, os templos foram incorporados à lógica funcional do novo mundo.


Em Los Angeles, na antiga Hollywood, esse processo se tornou emblemático. Duas propriedades da Igreja destacam-se: uma catedral famosa, restaurada, imponente, adaptada para receber visitantes e eventos; e um cemitério preservado, onde celebridades do passado repousam sob um modelo híbrido de memória, turismo e reverência estética.


A fé, ali, não desapareceu. Ela se concentrou.


Poucos ainda a sustentam como algo além de tradição ou ativo simbólico. Um deles é o responsável pelas propriedades da Igreja na região: o Padre John Connor — conhecido entre alguns militares apenas como JC.


Capelão militar aposentado, Connor atravessou a Terceira Guerra acompanhando tropas, enterrando mortos e testemunhando o surgimento de inimigos que não cabiam mais nas definições clássicas de bem e mal. Criaturas sem alma, entidades funcionais, máquinas conscientes, o próprio clima — nomes mudam, o conflito permanece.


Sua fé não é performática. É operacional.


JC administra propriedades, negocia concessões turísticas e aprova contratos com a mesma eficiência com que, em outro tempo, abençoava soldados antes de missões sem retorno. Para ele, a capitalização da Igreja não é traição. É sobrevivência institucional. A fé, quando verdadeira, não depende da arquitetura que a abriga.


Durante o Carnaval, quando tudo parece celebração vazia ou excesso sem reflexão, este destino propõe uma pausa incômoda: observar como até o sagrado precisou aprender a se vender — e como, ainda assim, alguns insistem em acreditar.


Catedrais e cemitérios continuam de pé não porque são invioláveis, mas porque aprenderam a negociar com o mundo que sobrou. A alternativa a este cenário provável é óbvia: prestar mais atenção aos avisos da Natureza.


Este período e seus bastidores são descritos no livro Quando Homens e Monstros se Tornam Deuses, publicado na Amazon e disponível também no Kindle Unlimited.


Boa viagem. Se encontrar o Padre John Connor, talvez ele esteja ocupado — ou talvez sempre haja tempo para mais uma confissão.


Este universo faz parte do livro Quando Homens e Monstros se Tornam Deuses, disponível na Amazon, inclusive para leitura no Kindle Unlimited. Este livro é o quinto volume da séria Um recruta no espaço, protagonizada por outro personagem icônico, o Recruta-sem-nome. Uma trama escrita com muita crítica social, todo baseado em homenagens ao Cinema.


Vejas a lista de títulos em https://www.clovisnicacio.com. Se preferir cópias em papel, fale comigo e direi onde encontrá-los.

Comentários


Seja assinante para receber novidades em primeira mão

Obrigado por acreditar!

bottom of page